Blog de ARIANO SUASSUNA


APL e PGE-PB promovem programação especial em Comemoração ao Centenário do EU, com homenagem a Ariano Suassun

Em comemoração ao Centenário do Eu, de Augusto dos Anjos, a Academia Paraibana de Letras (APL) e a Procuradoria Geral do Estado da Paraíba (PGE-PB) promoverão no próximo dia 10 de janeiro, às 19h30, na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Arte, no Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa, a Aula Espetáculo “A Paraíba, um estado de poésis”, que será ministrada pelo poeta e escritor paraibano Ariano Suassuna, um “Caçador de Miragens”.

Na oportunidade, o autor do Auto da Compadecida, Ariano Suassuna será agraciado pela Procuradoria Geral do Estado da Paraíba com a medalha “Procurador José Américo de Almeida”, a mais alta honraria do órgão, que está sendo outorgada pela primeira vez, como forma de prestar uma justa homenagem a um dos paraibanos que mais contribue para difusão da cultura local.

De acordo com o procurador geral do Estado, Gilberto Carneiro, a medalha que será outorgada pela PGE-PB, ao poeta e escritor paraibano, Ariano Suassuna, que também é membro da APL, é uma forma de prestar uma justa homenagem ao ilustre paraibano, autor de várias obras com repercussão nacional e internacional, das quais se destaca, pelo gosto popular, o Auto da Compadecida.

 

Data: 10 de janeiro de 2013 (quinta-feira)

Hora: 19h30

Local: Estação Cabo Branco, Ciência, cultura e Arte



Escrito por ALEXANDRE NÓBREGA às 17:25
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Senhor da terra do sol

Jornal do Commercio - PE

06/01/2013 

Opinião

Senhor da terra do sol

Persona / Ariano Suassuna

Da Redação

Dramaturgo, romancista e poeta, Ariano Suassuna, 85 anos, um dia sonhou em ser palhaço. Mas descobriu os livros e virou o coletivo ambulante do verbete causo. Com sua retórica irresistivelmente nordestina e cômica, o bacharel em direito, pai do Movimento Armorial e membro da Academia Brasileira de Letras falou a Bruna Cabral de seu amor pela literatura, pelo Sport e pelo Recife.

JC - Quando decidiu encher o mundo de letrinhas?

 

ARIANO SUASSUNA - Comecei a querer ser escritor aos 12 anos, quando fiz meu primeiro conto. Na época, era um assassino terrível. Quando não sabia o que fazer com um personagem, matava.

 

JC - Lê bastante? Quem são os autores que não saem de sua cabeceira?

 

ARIANO - Minha leitura é muito variada, compreende? Mas tem uma coisa: gosto mais de reler do que de ler. Quando gosto de um livro, leio ele a vida toda. Tem um livro chamado Scaramouche, de Rafael Sabatini, que já li várias vezes. Outro dia, fui emprestar a um neto, aí fiquei com inveja e li de novo. Sou um escritor de poucos livros e de poucos leitores e também sou um leitor de poucos livros.

 

JC - É verdade que o senhor detesta viajar de avião?

 

ARIANO - Detesto. E não é que eu tenha medo. Tenho raiva. Para mim, só há dois tipos de viagem de avião: as tediosas e as fatais. Na melhor das hipóteses, uma viagem tem quatro coisas que detesto: aeroporto, restaurante, hotel e avião. Restaurante é sempre uma dificuldade porque não gosto de comida muito fria, nem muito quente. Outro dia fui jantar e os garçons ficaram horrorizados. Pedi suco de melancia e sopa. A sopa estava quente demais e o suco, muito gelado. Aí, eu tirei o gelo de um e botei no outro.

 

JC - Qual seu cenário recifense cativo?

 

ARIANO - O Recife tem muito lugar pra eu gostar. Mas tem um que me toca, particularmente. É o Marco Zero. Foi lá que vi meu pai pela última vez. Ele era deputado federal, estava indo para o Rio de Janeiro e fomos levá-lo para tomar o navio. Ainda hoje tenho na memória a visão dele dando adeus, emoldurado pela janela do camarote.

 

JC - Celular, notebook, tablet, a que modernidades devota algum apreço?

 

ARIANO - Se você me perguntar a diferença entre um tablet e um notebook, eu não sei dizer. Celular eu sei o que é. Mas não tenho. Aquilo é uma praga! A gente fica escravo.

 

JC - Está quase sempre usando roupa de linho. É estética, calor ou mania?

 

ARIANO - Essa é uma longa história. Até certo tempo, vestia paletó e gravata, como todo adulto ajuizado de minha geração. Aí, um dia, li um artigo de Gandhi em que ele dizia que ninguém devia usar roupa pronta para não tirar o emprego dos mais pobres. Dali em diante, só faço roupa em costureira.

 

JC - O senhor é rubro-negro. Está feliz com seu time?

 

ARIANO - Eu sou e não estou, não. Dizem que sou rubro-negro doente, mas não. Sou rubro-negro saudável. Doentes são os torcedores de outros times, que não sabem escolher.

 

JC - O senhor tem saudade de algum pedaço do Recife?

 

ARIANO - Tenho. Sobretudo do que destruíram. Em Casa Forte, tinha uma casa maravilhosa, do século 18, uma das mais bonitas do Recife. Derrubaram. Às vezes, nem é má-fé. É burrice mesmo. O camarada mora numa casa linda, mas pensa que é arcaica. Derruba e constrói um monstro no lugar. Já briguei muito para preservar a história da cidade. Depois perdi a paciência. Sabe do que mais? Querem derrubar, derrubem.

Texto



Escrito por ALEXANDRE NÓBREGA às 09:55
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