Blog de ARIANO SUASSUNA


Casa da Rabeca recebe Ariano Suassuna para aula-espetáculo

 

Diário de Pernambuco  - PE | 26/03/2014

 

O escritor vai falar sobre literatura, poesia e música, rendendo homenagem ao compositor Capiba

 

Da Redação

 

A Casa da Rabeca, vai receber, nesta sexta-feira (28), o escritor Ariano Suassua. O poeta vai realizar uma aula-espetáculo, que começa a partir das 20h no local. O evento é gratuito.

 

Esta é a primeira aula-espetáculo que Ariano ministra na casa, desde que iniciou o projeto artístico, em 2007. Nos encontros, Ariano narra relatos curiosos de sua vida, da literatura e da cultura regional.

 

O show terá como homenageado o compositor Capiba, músico pernambucano que morreu há 17 anos. Se estivesse vivo, o autor de Madeira que cupim não rói e Maria Betânia, estaria completando, este ano, 110 anos de vida.

 

Serviço:

 

Aula-espetáculo com Ariano Suassuna na Casa da Rabeca

Quando: 28 de março de 2014, sexta-feira

Onde: Casa da Rabeca do Brasil (Rua Curupira, 340, Cidade Tabajara)

Horário: 20h

Evento gratuito

Mais informações: 3371-8197.

 



Escrito por ALEXANDRE NÓBREGA às 16:22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


As tediosas e as fatai

 

Estado de Minas - MG

 

Da Redação

Na primeira vez em que viajei de avião, à medida em que a aeronave se movimentava na direção da pista de decolagem e o zumbido das turbinas ficava mais alto, não pensei nos perigos da rota Beagá-São Paulo, na música do Belchior e naquele toque Beatles, nem no tédio e/ou no fatalismo. Estava era achando chique mesmo. E tentava disfarçar para não parecer jeca.

 

O medo de voar só apareceu bem mais tarde.

 

Ofereceram-me o lugar da janela, uma delicadeza que levava em conta minha situação de neófita. Afivelei o cinto de segurança, apertei as mãos na extremidade do apoio de braço da cadeira, respirei fundo e fiz um esforço notável para não explodir na gargalhada, mordendo as bochechas por dentro.

 

Sentada ali, lembrei-me de um tempo em que o programa mais divertido do meu sábado era ir ao aeroporto da Pampulha no fim da tarde. O objetivo: acompanhar a namorada americana do meu irmão, que partiria para os Estados Unidos.

 

A graça estava em apostar se ela desistiria ou não de ir embora. Luíza nunca decepcionava. Depois de entrar no avião, invariavelmente, se desesperava e pedia para descer. Da próxima vez que sentir medo de avião, prometo me lembrar disso.

 

Em meu primeiro voo, fiquei dividida entre a beleza do céu azul de doer e a do infinito mar de nuvens brancas que pairava abaixo dele. Quando voltei a ver minúsculas casas, já haviam se passado 20 minutos. Imaginei que estávamos sobrevoando o Jardim Montanhês, pequeno bairro da região Noroeste de BH.

 

Ainda bem que fiquei calada, pois foi acabar de pensar e, dois segundos depois, o comandante anunciar que a aeronave estava passando pelos céus de Campinas. Sinceramente, nunca fui boa em matemática.

 

Naquele dia não tive medo algum. E se sofri de alguma coisa, foi de deslumbramento. O mundo seguia simples assim, até que aquele avião da TAM caiu em São Paulo.

 

Depois do episódio e de outros acidentes que se seguiram no país, fiquei temerosa e atenta ao que acontece durante as viagens, como se fosse possível controlar alguma coisa. Minha técnica era prestar atenção no comportamento dos comissários. Se eles estão calmos, tudo bem.

 

Contei essa “sacada” para Maria, uma amiga basca. E ela me disse que seu pai pensava da mesma maneira. Um dia, num voo que passava por uma turbulência forte demais, ele resolveu olhar para a comissária: a moça estava fazendo xixi perna abaixo. Agora, venho me esforçando para não vigiar o pessoal de bordo.

 

Do referido desastre aéreo para cá, minha relação com as viagens de avião, que antes se situava no limbo entre o sono e o tédio, ganhou um tempero novo – o medo. Quando viajo a passeio, tapo o nariz e vou porque é mais rápido e quero aproveitar a vida. Se vou a trabalho, avalio que se trata de um risco desnecessário e evito sempre que posso.

 

Folgo em saber que não estou sozinha nessa e que meus sentimentos acometem nada menos de 80 milhões de patrícios (na ponta do lápis, 40% dos brasileiros). E você pensa que é qualquer um? Nada disso.

 

No mesmo “panteão” figuram personalidades da estirpe de Oscar Niemeyer, Dominguinhos, Zeca Pagodinho. Aos 86 anos, o dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, autor de O auto da compadecida, é atualmente o rei da lista.

 

Quando tentaram convencê-lo a fazer uma viagem aérea argumentando que, estatisticamente, o número de acidentes que envolvem carros é muito maior que o de aviões, ele disse, montado em seu sublime sotaque paraibano: “O escritor inglês Benjamim Disraeli foi um dos homens mais inteligentes do seu tempo (século 19). E ele dizia que só existem três tipos de mentira: a mentira comum, a mentira deslavada e a estatística”…

 

Num ciclo de palestras, Suassuna contou que certa vez viajou a Curitiba para participar de uma conferência. Chegando ao aeroporto, foi recepcionado por uma mocinha, que perguntou:

 

– Professor, o senhor fez boa viagem?

 

– Oh filha, não existe viagem boa de avião nãããão. Eu só conheço dois tipos de viagem de avião. As tediosas e as fatais...



Escrito por ALEXANDRE NÓBREGA às 09:21
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 Projeto Quadrante